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NEGRITUDE

Livro mostra luta de juiz sul-mato-grossense contra o racismo no judiciário

Fábio Esteves é hoje juiz do TJDFT e auxiliar no gabinete do ministro Edson Fachin

20 NOV 2024 • POR TERO QUEIROZ • 11h56
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O juiz federal Fábio Esteves. Foto: Reprodução

Neste mês da Consciência Negra, o livro infantil "Fabinho - da roça aos tribunais", é fonte de inspiração ao contar a história do juiz sul-mato-grossense Fábio Francisco Esteves.

A obra narra as dificuldades que ele enfrentou para estudar e seguir uma carreira de sucesso, sendo negro e pobre.

Atualmente, Fábio Esteves é juiz no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e auxiliar no gabinete do ministro Edson Fachin. “A escola é um espaço muito importante para as discussões que afetam a sociedade. Algumas das pessoas que hoje estão nesse espaço, amanhã estarão, a partir dessa discussão, preparadas para, se tiver vontade e, evidentemente, se indispor com os privilégios que o racismo estrutural estabelece, terem condições de promover intervenções para poder modificar essa estrutura, essa realidade que tanto desiguala grupos sociais e pessoas”, afirma o juiz.

O livro, de forma lúdica, mostra como o juiz lidou com o preconceito por meio da educação e do apoio da família.

Ele é filho de agricultores e nasceu em Paranaíba, mudando-se depois para Chapadão do Sul. “Com o livro, nós temos mostrado para as crianças que eu, enquanto criança, vivi experiências que podem ser iguais às experiências delas. E, ao mesmo tempo, essas crianças conseguem ver o futuro a partir da minha trajetória e isso pode inspirá-las a realizar os sonhos delas”, avalia Fábio Esteves.

Escrito por Claudine Bernardes e ilustrada por Alexsaymour Batista, o livro foi lançado em Brasília (DF), Chapadão do Sul, Paranaíba, ambas em MS e Cáceres (MT). "A obra é um instrumento pedagógico poderoso que permite que crianças reflitam sobre questões de raça, identidade e pertencimento", afirma a doutora Fernanda de Oliveira, idealizadora do Programa Turminha do Bem, com sede em Campo Grande (MS). 

O projeto é também Editora Turminha do Bem, que deu vida ao livro de Fábio.  

Alunos no projeto Trilhas da Igualdade. Foto: ReproduçãoAlunos no projeto Trilhas da Igualdade. Foto: Reprodução

A publicação faz parte do projeto Trilhas da Igualdade, que inclui livros, cadernos de atividades e jogos.

O objetivo é promover discussões sobre relações étnico-raciais com alunos da educação infantil e do Ensino Fundamental I.

Fernanda de Oliveira destaca: “Nosso objetivo é promover reflexões sobre atitudes discriminatórias que muitas vezes habitam o imaginário social com estereótipos, impulsos ou desejos, nem sempre conscientes, responsáveis por atitudes discriminatórias e manutenção e/ou a reprodução do racismo". 

Com 9 anos de existência, a Turminha do Bem já impactou mais de 50.000 alunos e envolveu 5.000 professores em 15 municípios.