
Representantes do projeto Futuro Multivozes, do Laboratório de Antropologia Multimídia, da Universidade de Londres (UCL Multimedia Anthropology Lab/UCL MAL) estão no Mato Grosso do Sul para uma troca de experiências culturais e tecnológicas no território indígena de Dourados.
A ação, que teve início na 3ª.feira (01.abr.25) e deve seguir até 5ª.feira (03.abr.25), tem por objetivo conectar os artistas-pesquisadores britânicos aos membros das comunidades Guarani e Kaiowá, que juntos estão construindo o acervo do Museu de Realidade Virtual Guarani-Kaiowá.
Para isso, os indígenas estão participando de workshops sobre o uso de sistemas multimídia, inteligência artificial e cinema, todos ministrados pela equipe vinda de Londres. Em contrapartida, os pesquisadores têm acesso às rezas e demais tradições das aldeias, costumes que são registrados e inseridos no acervo do museu.
Segundo a diretora e cofundadora do projeto, Raffaella Fryer-Moreira, o "Futuro Multivozes" busca promover e registrar trocas culturais e tecnológicas e para isso, o audiovisual tem grande importância. "Nosso projeto busca contribuir com a inovação da tecnologia global, abrindo espaço para que múltiplas vozes e múltiplas perspectivas possam contribuir para um campo de pensamento que reúna os diversos conhecimentos, de diversas culturas", explicou.
Além de Raffaella, a equipe é formada pelos artistas-pesquisadores Roger Eaton, Andrea Eszter Kereschen, A Guy Called Gerald, Ed Webster ,Vytautas Niedvaras, Amir Garmroudi e Megan Man. Já a equipe brasileira é composta pela coordenadora do projeto no Brasil, Fabi Fernandes, pelo cineasta Guarani-Kaiowá Luan Iturve, pelo DJ Guarani-Kaiowá e co-diretor de produção do projeto, Scott Hill e pelo músico e ativista, Kelvin Mbaretê, do Brô Mcs.
O projeto ainda conta com o apoio da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).
AÇÕES NAS COMUNIDADES

Nas aldeias, os artistas-pesquisadores estão apresentando o Museu de Realidade Virtual Guarani-Kaiowá para que possam ouvir os feedbacks e ampliar o impacto da iniciativa nas comunidades.
Os indígenas também estão conhecendo o Sistema de Som Ambisonic, apresentado pela diretora da Amoenus, Andrea Eszter Kereschen, pioneira na promoção do som imersivo 3D em Londres.
Além disso, um encontro entre os Brô MC's e o artista eletrônico A Guy Called Gerald explora a fusão entre tradições sonoras indígenas e tecnologiais musicais.
Já a oficina de Inteligência Artifical e Cinema está sendo conduzida pelo cineasta Roger Eaton, que iniciou sua carreira com destaque na fotografia de moda para a revista Vogue e trabalhou em mais de 130 produções hollywoodianas. Agora, na vanguarda da narrativa impulsionada pela IA, ele é pioneiro em workshops de cinema de IA e mostrará aos indígenas maneiras de utilizar inteligência artificial na criação de narrativas audiovisuais inspiradas em suas cosmologias e mitologias.
PRÓXIMAS AÇÕES
Depois de passarem por Mato Grosso do Sul, o grupo deve se reunir em Brasília, onde acontecerá a 21ª edição do Acampamento Terra Livre, a maior mobilização indígena do Brasil.
No evento, o Futuro Multivozes irá promover um conjunto de atividades inovadoras que conectam arte, ciência e tecnologia para mais de 10 mil indígenas de 200 comunidades.
A reportagem do TeatrineTV produziu uma entrevista exclusiva que será veiculada em breve no canal do site no Youtube.
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